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Arquivo de 2 de julho de 2010

Não confundam alho com bugalhos

Por Patrícia Chueri

Chegar a uma Copa do Mundo é um sonho para todas as seleções que dela participam. Mas para algumas, o sonho vem junto com a obrigação de vencer, e de manter toda uma história. É o caso de Brasil, Argentina, Itália, Alemanha, entre outras, mas tem seleção também que nunca ganhou nenhum título mundial e tem esse dever. Por exemplo, a Holanda! Nos anos 70, mais especificamente na Copa do Mundo de 74, Rinus Michel, técnico holandês, criou um verdadeiro “monstro” para o futebol mundial. Monstro no melhor sentido da palavra. Nada mais nada menos do que o tão famoso e badalado “Carrossel Holandês”, que era comandado dentro de campo pelo maior nome da história do futebol da Holanda: Johann Cruyff.

Esse “Carrossel” deu trabalho para os adversários. Na Copa da Alemanha (1974) teve cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota, justamente na final, para a dona da casa. Apesar de ter revolucionado o futebol, e ser potencializado entre os maiores do futebol, a Holanda nunca ganhou uma Copa. O futebol da Laranja Mecânica sempre foi conhecido pela ofensividade, característica que não se encontra tão facilmente na Europa, e ainda aliada a tão “européia” disciplina tática.

Depois da geração de Cruyff e Rensenbrink, muitos outros nomes surgiram como Van Basten, Koeman, Gullit, Rijkaard, Bergkamp, os irmãos De Boer, Cocu, Overmars, Van Der Sar, Kluivert, Davids, Seedorf, Van Nilsterooy, mas os resultados nunca foram satisfatórios, tão pouco numa Copa . Em 2002, a Holanda sequer se classificou para a Copa do Mundo da Coréia e Japão, e uma renovação se fazia necessária.

Mais nomes de um verdadeiro celeiro de craques surgiam, e o mundo passou a conhecer Robben, Sneijder, Van Persie, Dirk Kuyt, Van der Vaart, Van Bommel, entre outros. Na Copa da Alemanha (2006), uma discreta campanha, que culminou na derrota para Portugal, ainda nas oitavas de final. Mais maduros, e com uma seleção credenciada ao título, a Holanda chegou à África do Sul temida pelos adversários, e já na tabela, um confronto com o Brasil nas quartas de final, já estava meio que escrito. Dito e feito!

Mas como qualquer outra seleção holandesa, ela carregava a herança de Rinus Michel: representar o Carrossel Holandês. Aliás, mais do que isso, essa seleção de 2010 foi comparada ao tão famoso time de Cruyff. Uma heresia! No confronto com o Brasil o que se viu foi um time aplicado taticamente, mas com defeitos mortais. Defeitos que mancham até mesmo a alcunha de “Novo Carrossel” que essa Holanda levou para a África. A tal técnica refinada de Robben, pelo menos eu não vi. O que se viu foi o verdadeiro jogo do “cai – cai”, onde Michel Bastos foi prejudicado ao levar um cartão amarelo no início do jogo e ficar pendurado, sendo substituído na metade do segundo tempo. Limitado, o jogador do Bayern de Munique, abusou de errar no mesmo drible que se fez característica sua no jogo inteiro. Já Sneijder só apareceu no segundo tempo, mesmo assim para eliminar o Brasil em dois lances. O primeiro gol, que Júlio César não costuma falhar, e o segundo, de cabeça, que não é seu forte. Van Persie…é, se eu não tivesse visto o camisa 9 com meus próprios olhos não teria acreditado que ele jogou.

Mas o que mais chamou atenção foi a catimba holandesa durante toda a partida. Nem sequer lembrou a Holanda de sempre. Sabemos muito bem que malandragem ganha jogo, mas não aquela – se bem que ganhou. O perdido árbitro japonês caiu no “teatro holandês”, distribuindo palavras, conversas, e soprando o apito a cada chegada mais, digamos, “dura” da seleção Brasileira. Tudo isso fez os brasileiros se perderem na partida e no estado emocional. Tática? Pode até ser, mas não com a lealdade proposta por uma seleção que carrega a sombra de um “Carrossel”.

Alheio a isso, a Holanda é uma das poucas ainda 100% na Copa do Mundo. Isso se deve muito mais a eficiência de sua defesa do que os encantos de seu ataque. Espetacular, o goleiro Stekelenburg, fez uma grande defesa no chute de Kaká, que tinha o endereço do ângulo, evitando assim o segundo gol brasileiro, praticamente matando a partida. A experiência de Gio Van Bronckhorst, que no auge de seus 35 anos, ao lado de Ooijer, de 34, ajudou e muito a anular os avanços de Maicon e Daniel Alves. A defesa Laranja ainda contava com a ajuda de luxo do volante Van Bommel, e de Nigel de Jong, que não deixaram Kaká e Robinho se criarem. E Luis Fabiano? Alguém viu?

Por isso, não confundam alho com bugalhos. Pode até ser que a Holanda conquiste, enfim, seu primeiro título Mundial da história, mas nada de vir comparar o sistema defensivo eficaz de Bert Van Marwijk, com os encantos e e a ofensividade do time de Rinus Michel. Afinal de contas, quem nasceu pra ser “Carrinho bate – bate”nunca será um “Carrossel”.

*Patrícia Chueri é repórter da TV Bandeirantes

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Tchau Dunga. Vai tarde

Acabou bem antes do que a gente torcia. Mas não antes do que a gente temia. Quem me acompanha sabe o quanto critiquei essa comissão técnica desde o começo. A culpa não é dela. É de quem a pôs. Não soube treinar, não soube convocar, não sou escalar, enfim não soube e não sabe nada. Na partida de hoje o Brasil conseguiu achar um gol com 10 minutos, numa jogada feita por quem não sabe.

O passe do Felipe Melo foi uma surpresa para todos, inclusive para ele. Pediu desde o começo da copa para ser expulso. Acabou conseguindo. Queria que alguém me dissesse um esquema tático desta seleção? Não tem. Se não tem esquema, logicamente, não tem variação. Poderia se deixar o Ronaldinho Gaúcho de fora? Neymar, Ganso? O Dunga falou que os jogadores têm caráter e dignidade. E têm. São mal treinados, isso sim. Depois reclamou que a arbitragem foi pressionada pelos jogadores holandeses. E os brasileiros? Robinho a cada marcação contra só faltava acertar o árbitro. Olhos esbugalhados. Para terminar só quero avisar ao presidente da CBF que 2014 a copa é aqui. Só não pode manter Dunga e o Jorginho na comissão. Vou repetir: “não sabem nada”. Vamos passar até o dia da final da copa somente assistindo.

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