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Arquivo de 9 de julho de 2010

Fora do campo, Lúcio pisa na bola

Por Airton Gontow

Em plena Copa do Mundo e, ainda, com a onipresença do terrível caso Bruno, quase passou em branco a declaração do capitão Lúcio na última segunda-feira, dia 5 de julho, no “Jornal Nacional”  da Rede Globo.

Raro exemplo de jogador que une a raça e a técnica, atleta que, como muitos dizem, quase que obriga os companheiros a se matarem em campo tamanha a sua entrega e dedicação, o zagueiro pisou na bola ao dar uma lição de moral e patriotismo no povo brasileiro: “…o verdadeiro torcedor, o verdadeiro brasileiro tem que sentir orgulho da Seleção, tem que sentir orgulho da sua pátria, daqueles que estão representando a Seleção. Até porque torcer e amar uma seleção somente quando ganha é muito fácil”, disse o zagueiro.

Ué, mas não é justamente o amor do povo brasileiro pela derrota da Seleção Brasileira de 82 que tanto irrita Dunga e o grupo?

Não é essa uma Seleção que abdicou completamente do estilo brasileiro de jogar em prol, única e exclusivamente, do resultado, que não veio?

Não é essa uma Seleção que propositalmente fechou um grupo e impediu a entrada de novos talentos?

Se não queremos trabalhar em uma Redação que faz panelinhas e só deixa os antigos viajarem para uma Copa; se não vemos com bons olhos uma empresa ou grupo de amigos que se fecham e não permitem a entrada ou crescimento de mais ninguém; se não admiramos ou queremos no poder um partido político que inventa inimigos para criar uma falsa unidade; se não gostamos de atletas que veem os jogadores das outras equipes não como adversários, mas como inimigos…por que então deveríamos amar essa Seleção perdedora?

O povo brasileiro ama seu futebol Lúcio, mas não precisa de lição de moral ou de amor.

Nós e o mundo – amamos sim times que perderam mas conquistaram nossos corações de apaixonados por futebol, como o Brasil de 82, a Hungria de 54 e a Holanda de 74.

*Airton Gontow é jornalista e cronista.

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Humor na internet: Não faturou a de 2010 pra superfaturar a de 14.

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Diversão sem seriedade

Por Paulo Cézar Andrade

A festa do lançamento da logomarca da Copa de 2014 foi uma verdadeira demonstração de hipocrisia e peleguismo.

Primeiro a evidente produção do evento realizada pela Rede Globo, que, além de emprestar seu “cast”, foi responsável pela parte técnica da apresentação.

É claro que o preço da união entre a emissora e a CBF respingará no jornalismo, que deverá funcionar como na época do Pan, onde tudo era belo e nada havia sido superfaturado, pelo menos não nas notícias dos telejornais globais.

Tivemos também o presidente Lula cometendo mais algumas de suas gafes, consideradas “engraçadinhas” por boa parte da imprensa.

Mas, pior do que os erros de Lula foram suas afirmações mais sérias.

Chamou João Havelange de “um brasileiro excepcional”, depois fingiu atacar a CBF, dizendo que é necessária uma alternância de poder.

Depois de brincar de bater, afagou, dizendo que a entidade é privada, motivo pelo qual, segundo ele, não pode se meter no que lá acontece.

Como se o presidente não soubesse que sua atuação no Congresso poderia estimular a mudança das leis, que obrigariam a CBF a estipular normas de conduta eleitorais, além de pagar por irregularidades – tantas, freqüentemente cometidas.

Mas não, o presidente do Brasil quer distancia de coisa séria.

Melhor ficar brincando de garoto engraçadinho para servir de diversão aos dirigentes e telespectadores de todo o mundo.

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