Arquivo de 11 de julho de 2010
“Era Dunga”, para sempre, descanse em paz.
O Brasil foi campeão em 94 com dois volantes “brucutus”. O mundo inteiro copiou.
Em 98 e 2002, não havia Zidanes, Ronaldos e Rivaldos o bastante, espalhados por aí, que permitissem às outras Seleções absorverem as principais virtudes dos vencedores daquelas Copas.
Em 2006, foi pior ainda. Retrancada, como de costume, a Itália ensinou ao Planeta Bola a “arte” – modo irônico ligado ao máximo – de jogar no “3-6-1″.
É histórico. Ganhou o Mundial, ditou a moda nos gramados nos próximos quatro anos.
E tomara que seja mesmo assim agora, com a bela Espanha de Xavi, Iniesta e tanta gente boa.
Vamos valorizar a posse de bola e trocar passes açucarados.
Vamos escalar nossas meiúcas só com quem sabe o que fazer com a pelota.
Para que três zagueiros, se queremos é marcar gols?
Didático o sucesso da Fúria nos gramados africanos.
Lição de que se pode sim conquistar títulos importantes, sem abrir mão da ofensividade.
Neste domingo, 11 de julho de 2010, não foram vencedores apenas os 23 jogadores espanhóis ou os milhões de torcedores que vibraram em Madrid e no restante do país ibérico.
Holandeses, por 74, nós, brasileiros, por 82, dinamarqueses, por 86, camaroneses, por 90, e todos aqueles que valorizaram o futebol-arte depois de 1970 estão de alma lavada.
Quem jogou bonito, enfim, venceu.
Que a “Era Dunga”, para sempre, descanse em paz.
Por Roberto Junior
POLVO À ESPANHOLA

Autor do gol do título, Iniesta levanta a taça e comemora o primeiro título espanhol (Foto: Reuters)
Por Carlos Alberto Parizzi
O caneco ficou com a Espanha. Foi merecido. A partida final, contra a Holanda, coroou a participação de uma seleção que teve seu favoritismo questionado após a derrota no primeiro jogo contra a fraca Suíça, deu a volta por cima, derrotou uma seleção fortíssima, Alemanha, parta chegar a esta conquista e soube jogar decisivamente quando precisou. A Holanda foi guerreira, teve seus méritos, derrotou o Brasil, sempre temido com qualquer time que venha a exibir. Portanto a vitória espanhola contra a Alemanha, e o triunfo holandês frente o Brasil, credenciou as duas seleções a disputarem esta final.
O jogo em si não foi bom. Parado em demasia com faltas e poucas jogadas de plásticas bonitas. Seus principais astros não estavam num bom dia, e incluo Iniesta, o grande herói da conquista, que não jogou uma grande partida como se esperava, mas teve sua estrela brilhando quando marcou o gol do título na prorrogação. O craque não precisa jogar bem o tempo todo, basta fazer a diferença. Assim foi Iniesta. Mas o título é de todos na delegação espanhola. Vicente Del Bosque foi um comandante vibrante, sem estardalhaços. Sabia o time que tinha na mão. Vinha fazendo um ótimo trabalho na seleção. Não abandonou suas convicções quando perdeu a copa das confederações e foi tido como treinador de uma seleção que “amarela” nas grandes decisões. Continuou seu trabalho e acabou chegando ao topo. Do outro lado estava um time que jogou um futebol não tão bonito, mas eficiente. A Holanda fez uma partida muito apagada, sem ousar muito. Sneidjer e Robben não conseguiram desenvolver seus jogos. A Alemanha poderia estar na final, perfeitamente. Bastava não ter jogado sua pior partida contra a campeã Espanha. Aquele jogo foi uma pré-decisão. Dava a nítida impressão que a Holanda não passaria pelo vencedor daquele jogo.
O “polvo mala” acertou novamente. Paciência. A indicação do Forlán como melhor jogador da competição não me agradou. Iniesta jogou uma copa melhor e acabou decidindo o título. Diria que os dois, juntamente com o Sneidjer, seriam as indicações.
Bem, leitores do “Radio de Verdade”, termino aqui hoje minha contribuição quase que diária ao site. Foi um enorme prazer receber os elogios e as críticas daqueles que criaram o bom hábito de acessarem esta página a fim de ficar em dia com as principais notícias dos meios de comunicação. Até uma próxima oportunidade. Estarei ligado aqui.
* Carlos Alberto Parizzi é comentarista do Jogo Aberto Rio da BAND.
