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Arquivo da categoria ‘Patrícia Chueri’

Não confundam alho com bugalhos

Por Patrícia Chueri

Chegar a uma Copa do Mundo é um sonho para todas as seleções que dela participam. Mas para algumas, o sonho vem junto com a obrigação de vencer, e de manter toda uma história. É o caso de Brasil, Argentina, Itália, Alemanha, entre outras, mas tem seleção também que nunca ganhou nenhum título mundial e tem esse dever. Por exemplo, a Holanda! Nos anos 70, mais especificamente na Copa do Mundo de 74, Rinus Michel, técnico holandês, criou um verdadeiro “monstro” para o futebol mundial. Monstro no melhor sentido da palavra. Nada mais nada menos do que o tão famoso e badalado “Carrossel Holandês”, que era comandado dentro de campo pelo maior nome da história do futebol da Holanda: Johann Cruyff.

Esse “Carrossel” deu trabalho para os adversários. Na Copa da Alemanha (1974) teve cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota, justamente na final, para a dona da casa. Apesar de ter revolucionado o futebol, e ser potencializado entre os maiores do futebol, a Holanda nunca ganhou uma Copa. O futebol da Laranja Mecânica sempre foi conhecido pela ofensividade, característica que não se encontra tão facilmente na Europa, e ainda aliada a tão “européia” disciplina tática.

Depois da geração de Cruyff e Rensenbrink, muitos outros nomes surgiram como Van Basten, Koeman, Gullit, Rijkaard, Bergkamp, os irmãos De Boer, Cocu, Overmars, Van Der Sar, Kluivert, Davids, Seedorf, Van Nilsterooy, mas os resultados nunca foram satisfatórios, tão pouco numa Copa . Em 2002, a Holanda sequer se classificou para a Copa do Mundo da Coréia e Japão, e uma renovação se fazia necessária.

Mais nomes de um verdadeiro celeiro de craques surgiam, e o mundo passou a conhecer Robben, Sneijder, Van Persie, Dirk Kuyt, Van der Vaart, Van Bommel, entre outros. Na Copa da Alemanha (2006), uma discreta campanha, que culminou na derrota para Portugal, ainda nas oitavas de final. Mais maduros, e com uma seleção credenciada ao título, a Holanda chegou à África do Sul temida pelos adversários, e já na tabela, um confronto com o Brasil nas quartas de final, já estava meio que escrito. Dito e feito!

Mas como qualquer outra seleção holandesa, ela carregava a herança de Rinus Michel: representar o Carrossel Holandês. Aliás, mais do que isso, essa seleção de 2010 foi comparada ao tão famoso time de Cruyff. Uma heresia! No confronto com o Brasil o que se viu foi um time aplicado taticamente, mas com defeitos mortais. Defeitos que mancham até mesmo a alcunha de “Novo Carrossel” que essa Holanda levou para a África. A tal técnica refinada de Robben, pelo menos eu não vi. O que se viu foi o verdadeiro jogo do “cai – cai”, onde Michel Bastos foi prejudicado ao levar um cartão amarelo no início do jogo e ficar pendurado, sendo substituído na metade do segundo tempo. Limitado, o jogador do Bayern de Munique, abusou de errar no mesmo drible que se fez característica sua no jogo inteiro. Já Sneijder só apareceu no segundo tempo, mesmo assim para eliminar o Brasil em dois lances. O primeiro gol, que Júlio César não costuma falhar, e o segundo, de cabeça, que não é seu forte. Van Persie…é, se eu não tivesse visto o camisa 9 com meus próprios olhos não teria acreditado que ele jogou.

Mas o que mais chamou atenção foi a catimba holandesa durante toda a partida. Nem sequer lembrou a Holanda de sempre. Sabemos muito bem que malandragem ganha jogo, mas não aquela – se bem que ganhou. O perdido árbitro japonês caiu no “teatro holandês”, distribuindo palavras, conversas, e soprando o apito a cada chegada mais, digamos, “dura” da seleção Brasileira. Tudo isso fez os brasileiros se perderem na partida e no estado emocional. Tática? Pode até ser, mas não com a lealdade proposta por uma seleção que carrega a sombra de um “Carrossel”.

Alheio a isso, a Holanda é uma das poucas ainda 100% na Copa do Mundo. Isso se deve muito mais a eficiência de sua defesa do que os encantos de seu ataque. Espetacular, o goleiro Stekelenburg, fez uma grande defesa no chute de Kaká, que tinha o endereço do ângulo, evitando assim o segundo gol brasileiro, praticamente matando a partida. A experiência de Gio Van Bronckhorst, que no auge de seus 35 anos, ao lado de Ooijer, de 34, ajudou e muito a anular os avanços de Maicon e Daniel Alves. A defesa Laranja ainda contava com a ajuda de luxo do volante Van Bommel, e de Nigel de Jong, que não deixaram Kaká e Robinho se criarem. E Luis Fabiano? Alguém viu?

Por isso, não confundam alho com bugalhos. Pode até ser que a Holanda conquiste, enfim, seu primeiro título Mundial da história, mas nada de vir comparar o sistema defensivo eficaz de Bert Van Marwijk, com os encantos e e a ofensividade do time de Rinus Michel. Afinal de contas, quem nasceu pra ser “Carrinho bate – bate”nunca será um “Carrossel”.

*Patrícia Chueri é repórter da TV Bandeirantes

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O despertar do gigante Charrua

Por Patrícia Chueri

São dois títulos Olímpicos (1924 e 1928), dois títulos Mundiais (1930 e 1950), e num deles, calando quase duzentas mil pessoas, ao derrotar o Brasil, no episódio conhecido como “Maracanazo”. A garra “Charrua” é tradição, marca registrada da Seleção Celeste Olímpica, afinal de contas, Uruguai é sim um dos gigantes do futebol mundial. Mas o gigante andou adormecido. Tantas glórias foram se apequenando diante da evolução do futebol moderno. Prova disso é que a “Celeste”, nas últimas dez Copas do Mundo, não se qualificou em cinco oportunidades.

O reflexo da decadência uruguaia atingiu clubes de camisa, como Peñarol, Nacional, Danúbio entre outros. Na Copa Libertadores da América, o último título foi do Nacional de Montevidéo, em 1988, ao derrotar o Newell’s Old Boys da Argentina. Nomes de destaque como Ghiggia, Dario Pereyra, Pedro Rocha, Hugo de León, Rodolfo Rodriguez, Pablo Forlán, Enzo Francescoli, ou Rubén Sosa, ficaram cada vez mais escassos no mercado do Uruguai, e o buraco negro em que o futebol do país se afundava parecia não ter fim.

Classificada para a Copa do Mundo da África do Sul no “apagar da luzes”, na repescagem contra a Costa Rica, a Celeste Olímpica chegou debaixo de muita desconfiança em território Africano. Cair no grupo considerado o “da morte” não animou muito o povo uruguaio, que ainda sim mantinha esperanças de passar em segundo lugar no grupo que tinha França, México e África do Sul.

Mas as lanças, arcos e flechas, e qualquer outra arma dos guerreiros “Charruas” estavam afiadas, sedentas por provar o contrário das evidências. No embate com os Franceses, um empate sem gols, mesmo assim aumentava a esperança, até mesmo pelo futebol convincente. Contra os anfitriões africanos, os bons tempos foram lembrados, um show de bola, com um show de Diego Forlán, que marcou dois dos três gols Celestes. Com a classificação em mãos, vencer o México representaria o primeiro lugar do grupo, e o retorno de uma auto estima que se perdera no tempo. O gol de Suarez o fez. Vinte anos; esse foi o período que o Uruguai não chegava às oitavas de final de uma Copa do Mundo.

Quebrar tabús, acabar com a desconfiança, trazer de volta três milhões de pessoas a vibrarem a cada gol da Celeste Olímpica. A Seleção uruguaia trouxe de volta o orgulho “Charrua”. Só que a festa estava só começando. A Coréia do Sul estava no caminho nas oitavas de final. E foi espantosa a garra e determinação uruguaia em campo. Uma geração nem tão talentosa, ou brilhante assim, mas que a vontade de vencer, a garra, se faz superior a qualquer limitação. Os Coreanos sentiram isso na pele. Luis Suarez foi o nome da vitória; o nome da história. Dois gols que selaram uma classificação às quartas de final que não vinha desde 1970. Classificação digna dos antigos guerreiros “Charruas” que habitavam o Uruguai no passado. Com sangue, vibração, muita garra e transpiração, a geração de Diego Lugano, Forlán e Luis Suarez vem escrevendo novos capítulos na história do futebol uruguaio. Linhas de uma epopéia de muitas glórias, momentos tristes, mas de esperança, e superação.

Os guerreiros “Charruas” estão prontos para mais uma batalha. Pela frente a Seleção de Gana. Uma batalha tribal, que os uruguaios estão prontos para passar por cima de mais um tabú, e chegar ainda mais perto do céu; o céu Celeste!

*Patrícia Chueri é repórter da TV Bandeirantes

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Contagem Regressiva…

Por Patrícia Chueri

Que rufem os tambores! Falta muito pouco para o Brasil entrar em campo, pela Copa do Mundo da África do Sul. Falta um dia para os brasileiros se renderem, de vez, às emoções de mais um Mundial. Quando está chegando a hora dá até aquele friozinho na barriga. Ruas pintadas de verde e amarelo, bandeiras nas sacadas, a animação e a empolgação sendo exaladas por cada brasileiro; um verdadeiro carnaval fora de época.

Ah, e como não poderia deixar de ser, tem muita gente torcendo contra. Contra quem? Contra os nossos hermanos Argentinos, afinal de contas, o que seria do futebol sem essa pitada mágica chamada rivalidade? Sábado, foi dia da estréia do time de Maradona na Copa, e parecia até que o goleiro nigeriano, Enyeama, que até que estava vestido de amarelo, era o goleiro do Brasil. A cada defesa, palmas para ele. A cada ataque da Nigéria, foi aquele vai, vai, vai… mas, não foi. Heinze que foi, de cabeça, fazendo o solitário tango dos comandados de Maradona ecoar mais alto na África do Sul pela primeira vez.

Ainda no sábado, deu pra ver que a tal “Jabulani” não está para brincadeira na Copa do Mundo não. Fez a primeira vítima, o goleiro Green, da Inglaterra levar um verdadeiro “frango” em plena terra dos leões. Gol que custou caro para a Inglaterra, que cedeu o empate para os Estados Unidos, em 1×1.

Tricampeã Mundial, a Alemanha estreou no domingo com uma sonora goleada de 4×0 sobre a frágil e ingênua Austrália. E teve direito até a “primeiro gol brasileiro na Copa”. Paulista de Santo André, o atacante naturalizado alemão, Cacau, fechou a goleada Germânica. Apenas um aperitivo para os brasileiros que estão esperando a Canarinho entrar em ação. Terça-feira, qualquer lugar vai ficar pequeno. Aí vai algumas dicas para os cariocas que ainda não decidiram aonde vão assistir a estréia de Dunga e companhia.

Fifa Fan Fest – praia de Copacabana (entre a Rua Duvivier e a Av. Princesa Isabel)
Após os jogos, shows com Marcelo D2, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Monobloco, Dudu Nobre, Falamansa, Farofa Carioca, Cidade Negra, Revelação, Afrolata, Buchecha, Pixote, Pimenta do Reino, Bom Gosto e Cover Beatles, além das baterias das escolas de samba Mangueira, Beija-Flor e Unidos da Tijuca e dos DJs Janot, Marlboro e Falcão.

Alzirão – Rua Conde de Bonfim esquina com Alzira Brandão – Tijuca
Após o jogo, show do Grupo Revelação, bateria da Unidos da Tijuca.

Brasil Hexa 2010 – Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, s/nº – Glória)
Após os jogos, show com Falcão e Os Loucomotivos, além do DJ Negralha. No dia 25 de junho, show de abertura com MC Sapão.

Arena Morro da Urca – Av. Pasteur, 520, Urca
Dia 15/6: DJ Marlboro e Cordão do Bola Preta / dia 20/6: Leandro Sapucaí e convidados / dia 25/6: Mc Marcinho e Suvaco de Cristo

Casa Rosa – Rua Alice, 550, Laranjeiras
Dia 15/6: roda de samba com o grupo Novíssimos.

Brasileiros, simpatizantes e Deuses do Futebol. Na terça começa o carnaval fora de época. Não adianta lamentar por quem não foi. Basta engrandecer quem está lá, defendendo as cores mais cobiçadas do futebol Mundial, ostentando o emblema mais vitorioso do mundo. Terça – feira o Brasil inicia a sua caminhada rumo à sexta estrela de campeão do Mundo. E que a Coréia do Norte seja o primeiro bom sinal de um caminho tranqüilo e vencedor.

*Patrícia Chueri é repórter da TV Bandeirantes

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