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Jornalista Renato Maurício Prado fala sobre a Copa do Mundo 2010
Para quem perdeu, eis uma entrevista que vale a pena ser vista. O jornalista Renato Maurício Prado falando da Copa de Mundo da África do Sul, em papo descontraído com Jô Soares. Que nos sirva de lição determinadas observações feitas por Renato Maurício. Não faturamos a deste ano para superfaturar a de 14? Qual o futuro do futebol brasileiro? Dunga é o maior culpado pela eliminação na África? Entrevista imperdível.
Briga comprada, briga perdida
Dunga comprou briga com a imprensa esta noite. O estremecimento já vinha de antes, piorando quando o técnico resolveu blindar a Seleção do assédio dos jornalistas na África do Sul. Mas com o seu comportamento na coletiva pós-jogo deste domingo, Dunga cuspiu além da linha.
E o gaúcho arranjou encrenca da pior forma possível, mexendo com um dos mais queridos jornalistas esportivos. A vítima da vez foi o jornalista Alex Escobar.
O repórter Tadeu Schmidt classificou a atitude de Dunga, em sua matéria para o Fantástico, como ”comportamento incompatível”. E sabe-se que ter a Globo como inimiga não faz bem à saúde. Diga-se que no dia da convocação para a Copa da África, a vítima foi o correspondente da Rádio Gaúcha, Sérgio Guimarães, que foi tratado de forma grosseira pela dupla Dunga e Jorginho.
Não que antes desta noite Dunga ainda tivesse alguma chance com os coleguinhas. Na verdade, a atitude do técnico é muito mais uma consequência dessa antipatia da mídia contra ele do que um mero descontrole emocional. Sem entrar em méritos, a briga entre Dunga e a imprensa segue a dinâmica de todas as batalhas: causa e consequência. Ação e reação.
Aos que não se lembram, durante a Copa do Mundo de 1990, Dunga foi um dos grandes responsáveis pelo desentendimento dos jogadores por causa da premiação para o título, motivo que levou o Brasil a realizar uma pífia campanha no torneio. Na copa seguinte, Dunga vestiu a carapuça de guerreiro oferendada pelo marketing. Foi campeão nos pênaltis mesmo sendo um medíocre e desde então acredita estar acima do bem e do mal. Como se Romário e Bebeto por lá não tivessem passado.
O atual técnico tem se destacado por arrogância inexplicável. Se é para fazer o estilo durão, talvez com inveja de Felipão, o faz de maneira cega.
A matéria exibida pelo Fantástico de 20/06, imediatamente replicada nos noticiários da GloboNews, deve refletir nos jornais impressos de logo mais (escrevo por volta da meia-noite), bem como no Sistema Globo de Rádio. Outros veículos e outras mídias deverão seguir pelo mesmo caminho, pois o corporativismo de momento fala mais alto que as barreiras empresariais. E Dunga adentrou de vez pela trilha sem volta da antipatia ampla, geral e irrestrita dos jornalistas. Seja qual for a colocação do Brasil nesta Copa, Dunga perdeu.
* * *
Outro bom exemplo de como as relações entre mídia e selecionados pode ser perigosa: O jornal esportivo francês L’Equipe vazou os insultos que o atacante Anelka perspegou no treinador Raymond Domenech, durante o jogo contra o México. Jean-Pierre Escalettes, presidente da Federação Francesa de Futebol, exigiu que Anelka pedisse desculpas em público. O jogador negou e acabou excluído da equipe. Em meio ao grande imbroglio, que já envolveu até o presidente da república Nicolas Sarkozy, a seleção francesa se amotinou e se recusou a treinar na manhã de hoje. Como se vê, para técnicos e jogadores, ruim com a imprensa, pior sem ela.
Tragédia de marketing evitada
A tragédia ambiental no Golfo do México não está sendo sentida na África do Sul. Explica-se: A British Petroleum, empresa que administrava a plataforma de exploração de óleo que explodiu e vem despejando milhões de litros de petróleo na costa dos EUA, é dona da marca Castrol.
A famosa marca de lubrificantes, por sua vez, é uma das patrocinadoras das Copas do Mundo de 2010 e 2014. A BP vem lutando para desvincular a imagem da Castrol com a de sua matriz inglesa, temendo outro tipo de desastre — o de marketing. A BP/Castrol contratou o capitão do Penta Cafu para ser o garoto-propaganda da marca no Brasil.
A bola da vez
A lógica era a bola da vez no Soccer City. O México, mais técnico, tocava e dominava por completo a África do Sul. O primeiro gol parecia mera questão de tempo.
Do outro lado, assustados e retrancados, como um legítimo time de Parreira, os donos da casa pouco assustavam e nem Pienaar, o craque do time, fazia alguma coisa. Em certo momento, cheguei a dar como inevitável a primeira eliminação de um anfitrião na primeira fase de uma Copa.
No entanto, esse esporte chamado futebol é e sempre será uma fascinante “caixinha de surpresas”, dessa vez protagonizada pelo gol de Tshabalala em um contra-ataque fulminante, no chute solitário dos Bafana-Bafana.
Àquela altura, a festa era completa. A África do Sul mandava no pedaço, as chances de ampliar o placar apareciam com mais frequência e até pênalti não marcado houve. A partir dali, a tal lógica do primeiro parágrafo mudava de ideia. Não eram Giovanni dos Santos e Carlos Vela que mereciam a vitória, mas sim Mphela e seus bravos companheiros.
Todavia, os 90 minutos de uma partida são capazes de tudo, inclusive de inverter conceitos da língua. Se a sensatez assumira o lado verde e amarelo do campo, a emoção resolveu interceder pelos desorganizados mexicanos, através do zagueiro Rafa Márquez, autor do gol de empate, terrível castigo para um Parreira vibrante como poucas vezes vi.
Resultado injusto? Não diria. Um tempo de controle para cada equipe, não pode ser melhor refletido do que por meio de um empate. De qualquer forma, que os meninos-meninos não se lamentem. Com a raça, a organização e o pouquinho de qualidade que demonstraram hoje, França e Uruguai que se cuidem.
Quem mandou beber demais?
Por Rafael Monteiro
Depois da festa de abertura, começou o show dentro de campo. Com justiça, os próprios anfitriões abriram a festa, e diga-se de passagem os sul africanos são especialistas nesse assunto. Com o estádio lotado e as vuvuzelas a todo vapor tivemos uma amostra do que teremos na World Cup.
O primeiro tempo não teve novidades, enquanto a festa não embala, geralmente bate o nervosismo nos anfitriões e com a África do Sul não foi diferente, os mesmos não foram perigosos na primeira etapa. O México mais equilibrado, conseguiu se aproveitar da situação e chegou a ter um gol anulado aos 37 minutos, mas também não foi brilhante. Noss primeiros 45 minutos da Copa o nervosismo foi preponderante, e nitidamente muito estudado por ambas as equipes.
Como toda boa festa, não pode faltar música e uma boa comida. A primeira condição ficou por conta das vuvuzelas. Já a segunda foi servida somente com quase uma hora de comemoração, já que amenizamos a nossa fome apenas com 8 minutos da segunda etapa . Tshabalala chutou forte no ângulo e marcou o primeiro gol da Copa da África. E como em toda festa, toma-lhe dancinha. A entrada valeu a pena. A África do Sul veio bem mais organizada e perigosa para o segundo tempo, tanto que saiu na frente. Já o México não conseguiu impor seu futebol e foi dominado pelos bafanas bafanas, que após o gol e o embalo da torcida(seus convidados) realizaram um futebol monstrando que pode surpreender na competição. Bola na trave, pênalti não marcado, toque de bola, contra ataque rápido e marcação forte, foi o cartão de visitas do time do Parreirista.
Mas sabe quando você vai numa festa e aquela pessoa inconveniente chega e torna o clima desagradável? Esse camarada atendeu pelo nome de Mokoena. Dez minutos para a galera da limpeza entrar em ação, o México empata numa falha de marcação. Depois tudo foi na base da vontade e o pecado já estava cometido. O fim da festa teve aquela sensação: “Bebi demais e não deveria ter deixado isso acontecer”.
*Rafael Monteiro é repórter da Rádio Grande Rio 1560AM
Os 23 convocados para a Copa 2010 são:
Goleiros:
Julio César
Gomes
Doni
Laterais:
Maicon
Daniel Alves
Michel Bastos
Gilberto
Zagueiros:
Lúcio
Juan
Thiago Silva
Luisão
Meias:
Gilberto Silva
Felipe Melo
Josué
Ramires
Julio Baptista
Elanno
Kaká
Kleberson
Atacantes:
Robinho
Nilmar
Luis Fabiano
Grafite
Lista dos 7 “reservas”
A CBF divulgou no final desta tarde a lista dos sete jogadores que complementam o total de 30 atletas exigidos pela Fifa para disputa da Copa do Mundo. Ronaldinho Gaúcho, do Milan, e Ganso, do Santos, que não figuraram entre os 23 iniciais de Dunga, aparecem nesse grupo de reservas.
Diego Tardelli (Atlético-MG)
Ganso (Santos)
Carlos Eduardo (Hoffenheim-ALE)
Marcelo (Real Madrid-ESP)
Alex (Chelsea-ING)
Ronaldinho Gaúcho (Milan-ITA)
Sandro (Internacional-RS)
*A Fifa determina que em 1º de junho as federações apresentam as listas finais de 23 nomes, selecionados entre os 30 divulgados até esta terça. A partir dessa data, só poderá haver trocas em caso de lesões até a véspera da estreia da equipe na Copa. E o jogador convocado para substituir um machucado não precisa ser um dos sete excluídos da relação inicial de 30.




