O gordo, a presidente e o dia dos namorados

Maurício Figueiredo em 15 de junho de 2015 - 16:29 em Aprovação Automática
  
  

Dilma e Jô Soares

O grande acontecimento político-jornalístico da sexta-feira, 12 de junho, dia dos namorados, foi a entrevista do humorista-apresentador de televisão Jô Soares com a presidente Dilma Rousseff.

Jô conseguiu descontentar grande parte dos críticos veementes do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) e ao mesmo tempo arrancar aplausos dos defensores da presidente e do próprio PT.

O paradoxo disso tudo é que o grande acontecimento ocorre no que parte da esquerda brasileira passou a denominar de imprensa burguesa, adepta das elites e contrárias aos interesses do chamado povão.

É claro que o programa de Jô Soares, cujo modelo é calcado nos grandes entrevistadores norte-americanos como David Letterman, entre outros, no qual é colocada uma certa dose de humor de forma sutil, vem passando por uma natural queda de audiência nos últimos tempos, fruto do desgaste comum a qualquer longa exposição de produtos destinados a um chamado público um pouco mais sofisticado que o tradicional, que nem sempre absorve bem modificações de conteúdo e de forma, enquanto a turma mais politizada é mais afeita às novidades.

Por sua vez, a chamada grande imprensa sempre acolheu em seus quadros um pouco de profissionais contrários à sua própria linha editorial, passando com isso a ideia da chamada pluralidade de opinião. O Sistema Globo, por exemplo, tem em seu impresso o talento de um Veríssimo com posição política diferente da linha da publicação.

Com a entrevista com a presidente Dilma (independentemente do que foi dito ou perguntado), a Rede Globo consegue arrancar aplausos de muitos que até então a detratavam.

Seus atuais donos repetem o ensinamento do velho Roberto Marinho, em que pese a Globo, como grande parte da mídia da ocasião, ter apoiado a ditadura militar, mas justamente com o endurecimento do regime abrigou em seus quadros muitos jornalistas de esquerda em uma queda de braço com os generais do regime que começava a se exaurir.

Quando Jô Soares abre as portas de seu programa para a presidente Dilma expor livremente e até mesmo amistosamente suas ideias, atrai para si todo um grupo que tem visto a imprensa tradicional como golpista e anti PT.

Resta saber se esse namoro pode dar em casamento.

Vejam a entrevista:

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