Perdão dona Dilma

Maurício Figueiredo em 6 de julho de 2015 - 14:56 em Aprovação Automática
  
  
Aprovação Automática - Dilma Rousseff

Dilma Rousseff (Foto: Divulgação)

Sou de outra época e de outro século. Nasci no pós-guerra, no qual as liberdades democráticas estiveram brutalmente ameaçadas. Um mundo de selvageria no qual, em virtude do racismo, preconceito e as diversas espécie de ódio cultivadas por governantes, morreram cerca de 60 milhões de pessoas, incluindo o massacre de crianças, mulheres e velhos.

Fui criado em um universo feminino. Minha mãe ao casar teve de largar o cargo de secretária do presidente da Fábrica Nacional de Motores (FNM), brigadeiro Guedes Muniz, pois não era de bom tom uma mulher casada continuar trabalhando, deixando de lado as obrigações caseiras, entre as quais cuidar dos filhos. Meu pai, desse modo, era o principal provedor o lar, mas a mãe se desdobrava em várias outras tarefas como costurar, etc, para melhorar um pouco o orçamento doméstico. Tive duas irmãs e por isso, meu universo infantil é feminino. Tenho duas filhas e duas netas e continuo rodeado de mulheres.

Política à parte, ideologia à parte, por isso, causa-me espanto o tipo de tratamento dado nas redes sociais à presidente da República. Não apenas pelo fato dela ser uma mulher, o que por si já me reporta a mãe, avó, irmãs, filhas, netas e professoras e aos versos de Lennon de que a mulher é o “nigger” do mundo, termo pejorativo de se tratar os negros norte-americanos.

E o pior é que vejo professoras, professores, médicos, jornalistas e outros profissionais liberais, que por si só, mesmo que tivessem uma má educação no lar (aquela que é e deveria ser o início de tudo) tiveram o privilégio de passar por escolas (boas ou más) e deveriam ter o mínimo de noção de cidadania.

O adversário político de hoje, que pode ser o aliado de amanhã, é visto como inimigo a ser exterminado, conforme rezava a velha cartilha da Juventude Hitlerista ou os comandos da Gestappo. A intransigência e o ódio pautam qualquer simples debate político (aliás debate é coisa desconhecida, que dizer diálogo).

A tentativa de se ridicularizar a figura da presidente da República, na forma de uma baixaria de conotação sexual, justamente em um mundo que se luta contra os preconceitos sexuais, é antes de tudo, não apenas um atentado a todas as mulheres brasileiras, mas sobretudo a homens criados, talvez de uma forma ultrapassada, de – sem abrir mão da crítica, por vezes forte e aguerrida – não perder a ternura.

Ternura que deveríamos ter com todos os seres humanos. Como homem sinto vergonha da forma que uma parcela do país trata uma mulher, a qual, por maior que sejam os pecados que tenha ou possa ter, deveríamos pensar na hora de atirar a primeira pedra.

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