Transportes na Ilha do Governador

Maurício Figueiredo em 24 de julho de 2015 - 16:39 em Aprovação Automática
  
  

Aprovação Automática - Van lotada

Muito adequadamente a Ilha chamada do Governador, como demonstração de que o problema dos transportes é um dos principais em todo o estado e também no Brasil, tem a característica de só ter praticamente uma saída: a Estrada do Galeão, pois mesmo a alternativa Canárias ao seu término desemboca nela aumentando o gargalo do garrafão.

Quem trabalha, estuda ou sai da ilha à passeio tem como opções:

1 – Ônibus comuns – super sujos, sem manutenção e motoristas, como o de resto da cidade (com as exceções naturais), despreparados. Um deles inclusive caiu de um viaduto gerando vítimas fatais ao sair no tapa com um passageiro.

2 – Ônibus frescões, que nem sempre o ar condicionado funcionam com perfeição e o passageiro corre risco de frequentes assaltos. A passagem é considerada abusiva pelo trajeto relativamente pequeno pela Linha Vermelha.

3 – Serviço de vans – Situação indefinida. Às vezes circulam livremente e outras vezes são vítimas da ação de fiscais, mas os motoristas procuram sobreviver com base em informações trocadas por celulares. Conseguem maior rapidez que os ônibus pois são livres para escolherem o trajeto – via Avenida Brasil ou Linha Vermelha -. Mas, se bobear você pode circular por ruas apertadas na chamada Faixa de Gaza, torcendo para que não haja um assalto e seja depenado ou que não seja vítima de bala perdida.

4 – Kombis e vans – A Ilha do Governador é rica em número de kombis. Os motoristas e seus auxiliares disputam literalmente passageiros nos pontos dos ônibus em até filas quintuplas. Param em qualquer lugar, mesmo em cima dos sinais, com a complacência dos guardas. Mexem com as pessoas nas ruas (especialmente as mulheres). Se der na veneta ficam paradas em um ponto até cinco minutos disputando passageiros. Mudam de itinerário a bel-prazer. Muitas em péssimo estado de conservação. Mas para quem tem coragem é uma ótima opção, em virtude do sumiço dos homens em determinados horários. Elas circulam dentro da própria Ilha, mas também têm linhas diretas para Bonsucesso, Vila da Penha.

5 – Lotada de táxi – Na guerra pela sobrevivência e pelo preço proibitivo de uma corrida de táxi para fora da Ilha, alguns taxistas operam na base da lotada para o Centro da cidade nas primeiras horas da manhã. Eles passam piscando os faróis e normalmente arrancando passageiros das longas filas das vans e ônibus frescões. A norma é a de três passageiros por veículo. Mas você corre o risco de se tiver algum magrinho ou magrinha empurrarem mais um e você viajar um pouco espremido, mesmo pagando caro.

6 – Barcas – A Estação das Barcas antes ficava no bairro da Ribeira. Uma nova obra foi feita (somos o país das obras) e a estação mudada para o Cocotá. Para ter acesso, se você morar em outro bairro tem de pegar um ônibus até o local ou correr o risco de deixar seu carro estacionado e na volta do trabalho não encontrar mais o veículo. Mesmo de ônibus tem de dar uma caminhada boa até a estação, pois o ponto fica distante. É por isso que lá no Parque Manoel Bandeira, mal iluminado, com constantes assaltos, está também instalada uma Unidade de Saúde para ninguém ir perturbar no meio da noite (ou seja assim que escurece) e mesmo nem sempre encontrará médico (essa é outra história). Voltando as barcas. Super lentas, sujas. Ou seja, um serviço feito para não funcionar bem. Mas, a travessia é aprazível. A embarcação passa bem embaixo da Ponte Rio-Niterói. É ótima para quem como diz a música do Chico: “está sem compromisso, sem relógio e sem patrão”.

PS: Este é apenas um exemplo de um bairro do Rio. O fato é comum no restante das cidades, bem como, em outras cidades brasileiras, retratando o descaso geral do Poder Público com os transportes no país. Péssimos serviços, na maioria privados, em virtude das concessões e cumplicidade eleitoral com os governantes e grande parcela da classe política, em total descaso com a população pagadora de elevados e extorsivos impostos.

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