Obama, negros cubanos e brancos do Brasil

Redação em 24 de março de 2016 - 15:01 em Aprovação Automática
  
  

Obama em Cuba

O “embranquecimento” da população brasileira já foi oficialmente uma política de Estado. Até no envio de tropas brasileiras para a formação da FEB foi tomada essa precaução. A Guarda do antigo Ministério da Guerra, na Central do Brasil, foi durante muito tempo formado pelos famosos “Catarinas”, soldados recrutados no Sul do país. O cinema, televisão, teatro, publicidade, etc, apenas refletem os ranços dessa política enquistada em nossa sociedade…

A tentativa de maior visibilidade do negro na sociedade brasileira começou a ocorrer mais fortemente, a partir do governo Fernando Henrique, quando o Brasil teve de reconhecer internacionalmente o racismo existente no país, em relação à sua enorme população negra, em que pese ter o maior contingente de negros no mundo, só perdendo em números absolutos para a Nigéria.

Adoção de medidas como a das quotas nas universidades, nada mais foram do que resultados da pressão internacional via organismos da ONU entre outros. O cineasta negro Spike Lee ao se hospedar na zona sul do Rio, circular por parte da cidade e assistir nossos canais de televisão, acreditava que não existiam muitos negros no Brasil o que só foi saber posteriormente.

Com uma população de negros infinitamente inferior à brasileira, os Estados Unidos, com a política de affirmation implementada a partir dos anos 60 no governo Kennedy, como resultado da Luta pela Igualdade Racial do movimento negro, teve de imediato sua classe média negra aumentada para 12% da população.

O regime comunista de Cuba também, por outra linha, conseguiu dar maior visibilidade à sua população negra, em que pese, ser considerada minoria. A participação negra no parlamento cubano tem sido crescente.

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Foto: Parlamento Cubano

Segundo o censo de 2002, a população cubana era de 11 177 743 habitantes, incluindo 5.597.233 homens e 5.580.510 mulheres. A composição étnica era de 7.271.926 brancos, 1.126.894 negros e 2.778.923 mulatos (ou mestiços).

A visita do presidente negro Obama a Cuba demonstra que a ascensão do negro em uma sociedade é fruto apenas de uma firme vontade política, o que, infelizmente, não ocorre, ainda, na sociedade brasileira. Basta-se folhear nossas principais revistas e zapear nossos principais canais de televisão e veremos que a política de Estado de embranquecimento da população brasileira continua em pleno vigor. Não há espaço de grande visibilidade para o negro, ocupando sempre os papéis subalternos, quer seja nos principais cargos da República ou até mesmo em uma simples novela ou comercial de basta de dente.

Dos cinco dedos de nossas mãos, três deles representam o período de Escravidão negra no Brasil. Em um momento de briga na Casa Grande pelo Poder, o negro excluído contribui com a maioria esmagadora de presidiários (sem as benesses das prisões especiais dos brancos presos por corrupção), com a maioria esmagadora de jovens exterminados na lucrativa e interminável guerra conta o tráfico de drogas e na formação de contingentes ativos das chamadas tropas de choque de nossas policias como os novos capitães do mato do nosso conforto e segurança nacional de um mundo feito para os brancos.

 

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