Do começo ao… fim?

Áureo Ameno em 15 de junho de 2015 - 14:00 em RadiÁureo
  
  

RadiÁureo - Áureo Ameno

E a gente vai chegando à reta final da grande e passageira caminhada, procurando passar conhecimento e, ao mesmo tempo, aprendendo.

O Rádio foi o meu grande aprendizado, a minha grande paixão, minha carreira, minha profissão. Uma profissão de fé no que eu sempre acreditei. Posso me orgulhar de ter pertencido à uma galeria vitoriosa do rádio.

Trilhei todo esse caminho encantado da comunicação sonora, entre ondas, tapas e beijos, mais beijos que ondas e tapas. Agora, inicio um novo caminho. Aproveitando, como o rádio sempre aproveitou, o progresso da tecnologia. E a tecnologia teve e ainda tem o seu maior progresso no campo da comunicação. Tudo começa com o nosso primeiro vagido.

É a primeira comunicação do ser humano com um mundo que ele desconhece. O choro do nascituro é um grito de “cheguei”. Depois, vêm fumaça, tambor, cavaleiros, telégrafo sem fio, rádio amador, radiodifusão, televisão, internet e não para, nem vai parar por aí.

Quem gosta com amor, morre fazendo, com amor, aquilo que gosta. Por isso, a vocação do velho radialista não pode parar. Os caminhos são outros. Os tempos são outros. A internet, este imenso mundo ainda não totalmente conquistado, esta verdadeira zona franca em que tudo se pode e em que nada se nega, é o novo ambiente do rádio.

De vez em quando, ele parece morto. Isso aconteceu, na década de 50 com advento da televisão no Brasil. Os mais importantes nomes das ondas médias e curtas pularam pra telinha. O rádio sentiu o golpe. Ficou meio nocauteado. Parecia que era o seu fim.

Então surge, vindo do nada, uma emissora que atrasava salários, muitas vezes nem pagava aos seus funcionários, mas tinha alma. Alma formada por uma equipe de guerreiros, radialistas de sangue, que tiraram o rádio do estúdio e o levaram para as ruas. Foi a era do Comando Continental que, somados ao advento do transistor e do “rádio vitrolão”, revitalizaram o agonizante.

A Rádio Continental deu o esporte e a notícia. A emissora da Rua Riachuelo “estava em todas”. Saiu pelas ruas e bairros registrando os fatos ao vivo. O Repórter Esso estava nas ruas, repercutindo a notícia. Sucessos seguidos, meio minuto de intervalo entre eles.

A Tamoio, então com um belíssimo som, lançou o rádio vitrolão. Época das paradas de sucessos, das músicas na passarela, quando ainda não existiam aparelhos modernos que conseguem concentrar o maior número possível de músicas. E com o advento do transistor o rádio passou a ser um amigo mais íntimo, ouvido no ônibus e nos locais de trabalho.

Então, essa união de fatores, todos surgidos à mesma época, fizeram nascer o rádio música, esporte e notícia, que deu à Globo, décadas de liderança. O rádio que são, ainda, os cavalos de batalha da Globo e Tupi. Duas emissoras que serviram de referência para quase todas as outras do país.

Agora, fala-se que o rádio está novamente na UTI. As cidades crescem verticalmente, criando bloqueios para o AM. Na dificuldade de digitalização, apela-se para o FM. As grandes emissoras AM passam a transmitir sua programação também em FM. E o rádio encontra na internet forças para sua revitalização.

Este mundo novo não tem dono. Está aí para ser explorado. Tudo colabora para que o rádio continue sendo o mais importante meio de comunicação do universo. Pela sua flexibilidade, velocidade, facilidade operacional.

Agora é aproveitar os ventos da internet, que aposentaram telegramas, cartas, telefonemas e outros avanços, relativamente recentes, de um setor que não para de se desenvolver, e se desenvolve na mesma velocidade das ondas do rádio.

E, a partir de agora, estarei com vocês, nesse cantinho do Rádio de Verdade.

Qual a sua opinião?