Rádio ganha dos times

Áureo Ameno em 22 de junho de 2015 - 15:21 em RadiÁureo
  
  

RadiÁureo Tupi x Globo futebol

Falar que o futebol carioca está uma droga, é chover no molhado. Até a era de Romário e companhia, a gente ia ao estádio para ver um clássico e contava cinco ou seis craques de cada lado. Eu brincava com meus amigos, formando times com jogadores cujos nome começavam com as letras A, B, C e assim por diante. E se formava grandes times. E agora? Você vai ao Maracanã para ver quem jogar? Nos quatro grandes do Rio, quem é que desequilibra, dentro de campo?

E como as coisas não vão bem no resto do país, temos uma seleção fraca, seleção de uma corda só, ou melhor, de um jogador só. Isso dificulta até o trabalho das emissoras que transmitem futebol. Suas equipes são obrigadas a dizer, por exemplo, que a ausência do ZÉ DA PREGA PRESA é desfalque e que, infelizmente, o JOÃO BOLA FURADA não vai poder jogar.

Os grandes times de futebol perderam suas estrelas. Com raríssimas exceções, grande parte dos jogadores é desconhecida. Tem que botar crachá. E ainda se mescla com jogadores já muito rodados que voltam do exterior, por que lá foram e agora não querem mais eles. É a fase dos “sub-quarenta”.

Mas, as equipes das emissoras de rádio continuam tentando fazer do futebol bico pro alto, futebol show. Com a competência de sempre. Os times das principais emissoras cariocas ganham de goleada das nossas equipes de futebol.

A Tupi acaba de se reforçar com o José Carlos Araújo, ícone das transmissões esportivas, revivendo a grande dupla que se consagrou, no rádio, com o genial Apolinho. O Garotinho não podia continuar fora da grande mídia.

E, a grande mídia radiofônica atual, se resume à Tupi e Globo, que tem Luiz Penido, outro nome estelar do nosso rádio. Da mesma escola do Zé. A escola do futebol show. Ele e Edson Mauro, outro ícone do rádio esportivo são os principais narradores.

Dé, irreverente e sem “papas” na língua, lidera a equipe de comentaristas. São duas equipes completas, brilhantes, com muita gente nova, que se esforça ao máximo para dar cor a um futebol totalmente descolorido.

Nota 10 para as duas maiores emissoras do Rio. Com louvor. Ah, se o Futebol ajudasse… O show do rádio seria muito mais bonito. De lençol, caneta e bicicleta.

Dica

Rádio

Ainda tem gente que quer falar bonito e complicado no rádio. Há uma diferença muito grande entre a comunicação falada e a comunicação impressa. No jornal, se você não estiver entendendo a notícia, pode voltar, reler e se encontrar. No rádio, não. Falou, tá falado.

Você não pode pedir ao emissor para explicar o que você não entendeu. Por isso, a linguagem no radio tem que ser clara. Usar sempre a ordem direta: sujeito, verbo, complemento. Jamais “xingar” hospital de nosocômio, médico de esculápio ou advogado de causídico.

Tem que se escrever e falar o “povez”. Se tiver que repetir a palavra hospital, repita. Rádio é uma prestação de serviço e não um teste para a Academia de Letras. O rádio fala para o intelectual, mas, também fala para o analfabeto. Tem que ser a linguagem que o povão fala.

Mico

Loureiro Neto (Foto: Divulgação)

Loureiro Neto (Foto: Divulgação)

O saudoso amigo Loureiro Neto trabalhava como repórter numa das grandes coberturas de Carnaval, da Rádio Globo, pouco antes de desfilar pela sua querida Mangueira. Portela terminando a sua apresentação, desce do carro uma exuberante Gal Costa. Loureiro se aproxima com o microfone e pergunta: “Grande Gal Costa, sempre bonita e com as pernas lindas, está feliz com esse desfile”?

E a Gal, de mentirinha, respondeu: “Amor… eu não sou a Gal Costa não. Sou bicha. Mas estou muito emocionada por você ter me confundido com ela”.

Qual a sua opinião?