Escolas de radiojornalismo

Áureo Ameno em 14 de julho de 2015 - 17:41 em RadiÁureo
  
  
RadiÁureo - O Globo no Ar e Repórter Esso

“O Globo no Ar” e “O seu Repórter Esso” (Foto: Reprodução)

Eu fui um cara de sorte. Durante minha larga carreira no rádio, tive o privilégio de participar de duas grandes escolas de jornalismo: “Repórter Esso” e “O Globo no Ar”! O “Repórter Esso”, imortalizado nas vozes de Heron Domingues e Roberto Figueiredo (que também brilhou como locutor de “O Globo no Ar”) foi a primeira grande escola do radiojornalismo.

Nós, redatores, seguíamos uma cartilha, cujos fundamentos ainda são vigas-mestras do radiojornalismo. Texto na ordem direta, com clareza e objetividade, sem adjetivações. Qualquer notícia só era divulgada depois de ter sua veracidade bem comprovada. Muitas vezes, a pessoa ouvia a notícia em outra emissora e “corria” para o “Repórter Esso”, para ter confirmação. O cara só acreditava depois de escutar no “Repórter Esso”.

A cartilha era uma verdadeira aula de jornalismo, tendo como base os conceitos da imparcialidade e da ética na notícia. Havia uma grande preocupação com o conceito ético. Num acidente aéreo por exemplo, a notícia só era divulgada depois que se soubesse a procedência do avião, seu destino e a hora da decolagem. Isso para reduzir a área de pânico. Quanta gente espera parentes ou amigos vindos de outras cidades por via aérea. Se você divulgar o nome da empresa, o aeroporto de origem, a hora da decolagem e o destino do voo, você delimita a área de pânico. Em outra oportunidade, voltarei a falar sobre essa grande escola de radiojornalismo.

Durante dez anos tive a honra de participar do seu seleto quadro de redatores. Como era bom ouvir a minha redação na voz do grande Heron Domingues, um dos meus ídolos quando eu ainda era menino, no interior de Minas. O Roberto Figueiredo já lia os meus textos na Globo. Não só como noticiarista, mas também, como apresentador de programas. Era outro que valorizava o texto da gente.

Como o “Repórter Esso” já é passado, virou marca, virou história e “O Globo no Ar” ainda existe, fico no presente. Trata-se de um noticiário que também fez escola no rádio. Eu, que redigi os dois, não sentia diferença entre eles. Ética, clareza, objetividade e credibilidade eram requisitos de um e de outro. De hora em hora, entrava “O Globo no Ar”, que não era lido por qualquer um. Vinha nas vozes INCONFUNDÍVEIS do Guilherme de Souza, Isaac Zaltman, Roberto Figueiredo, Arildes Cardoso, José Mangia, Paulo Siqueira, Oswaldo Luiz e poucos, pouquíssimos outros. Só feras.

Certa vez tive de ler uma edição e confesso: “me borrei de medo”! Que responsabilidade! Era, e ainda é, o único noticiário de rádio que traz no seu nome a grife de um grande jornal. Trocando em miúdos: não é qualquer coisa no ar. É “O Globo no Ar”! E era. E ainda deveria ser! Nossos companheiros de jornal se orgulhavam e também participavam do noticiário.

Infelizmente, com o tempo, foram tirando a importância desse noticiário. Mexeu-se nas chamadas e na interpretação. Não se exige mais uma voz marcante que prenda o ouvinte. Não se exige mais conteúdo importante e de interesse público. O conteúdo caiu e a interpretação idem. Hoje, qualquer um (e nesse qualquer um eu me incluiria, se fosse o caso), lê o noticiário. Na madrugada, então, é uma lástima. A derrubada ocorreu antes da atual administração. Na verdade, a derrubada, quase geral, começou quando pessoas que não estavam preparadas para o cargo, que não entendiam de rádio, assumiram a direção da emissora do Russel.

A atual administração tem condições de reverter essa situação. Não é tão difícil assim. Tratem melhor um noticiário que já teve grife, que já foi referência. Por mais que a tecnologia e conceitos de comunicação avancem, as melhores emissoras de rádio e televisão não abrem mão do seu padrão de qualidade, em matéria de jornalismo. Eu, como ouvinte, quero o meu “O Globo no Ar” de volta.

Imbatível

Coelho Lima, ao fundo e Garcia Duarte, na apresentação do "Patrulha da Cidade" (Foto: Divulgação)

Coelho Lima, ao fundo e Garcia Duarte, na apresentação do “Patrulha da Cidade” (Foto: Divulgação)

E ninguém ganha da “Patrulha da Cidade”. Nenhuma concorrente, há muitos e muitos anos, consegue ocupar o primeiro lugar no horário. A “Patrulha” tira a concorrência “de letra”. É um primeiro lugar cativo.

Na década de 60, a Globo tirou da Tupi todo o time da patrulha: Samuel Correia, Leila Miranda, Aldenora Santos, Nelson Batinga, Batista Rodrigues, Bianchini, Antônio Luiz… e até o grande Afonso Soares, que era o seu principal produtor. Aliás, inteligente como sempre, o Mário Luiz levou, primeiramente, o Afonso, na certeza de que ele faria (como fez) a cabeça dos seus companheiros de programa.

A Globo chegou a encostar na “Patrulha” que, mesmo desfalcada, manteve a liderança. E a mantém até hoje. E fico feliz quando ouço o talentoso Garcia Duarte fazendo parte dessa competente equipe. E como me orgulho pelo fato de ter sido meu aluno. E como respeito um programa que vai se renovando no tempo e mantendo seu padrão de liderança.

Qual a sua opinião?