O despertar do gigante Charrua

Redação em 29 de junho de 2010 - 0:56 em Patrícia Chueri
  
  

Por Patrícia Chueri

São dois títulos Olímpicos (1924 e 1928), dois títulos Mundiais (1930 e 1950), e num deles, calando quase duzentas mil pessoas, ao derrotar o Brasil, no episódio conhecido como “Maracanazo”. A garra “Charrua” é tradição, marca registrada da Seleção Celeste Olímpica, afinal de contas, Uruguai é sim um dos gigantes do futebol mundial. Mas o gigante andou adormecido. Tantas glórias foram se apequenando diante da evolução do futebol moderno. Prova disso é que a “Celeste”, nas últimas dez Copas do Mundo, não se qualificou em cinco oportunidades.

O reflexo da decadência uruguaia atingiu clubes de camisa, como Peñarol, Nacional, Danúbio entre outros. Na Copa Libertadores da América, o último título foi do Nacional de Montevidéo, em 1988, ao derrotar o Newell’s Old Boys da Argentina. Nomes de destaque como Ghiggia, Dario Pereyra, Pedro Rocha, Hugo de León, Rodolfo Rodriguez, Pablo Forlán, Enzo Francescoli, ou Rubén Sosa, ficaram cada vez mais escassos no mercado do Uruguai, e o buraco negro em que o futebol do país se afundava parecia não ter fim.

Classificada para a Copa do Mundo da África do Sul no “apagar da luzes”, na repescagem contra a Costa Rica, a Celeste Olímpica chegou debaixo de muita desconfiança em território Africano. Cair no grupo considerado o “da morte” não animou muito o povo uruguaio, que ainda sim mantinha esperanças de passar em segundo lugar no grupo que tinha França, México e África do Sul.

Mas as lanças, arcos e flechas, e qualquer outra arma dos guerreiros “Charruas” estavam afiadas, sedentas por provar o contrário das evidências. No embate com os Franceses, um empate sem gols, mesmo assim aumentava a esperança, até mesmo pelo futebol convincente. Contra os anfitriões africanos, os bons tempos foram lembrados, um show de bola, com um show de Diego Forlán, que marcou dois dos três gols Celestes. Com a classificação em mãos, vencer o México representaria o primeiro lugar do grupo, e o retorno de uma auto estima que se perdera no tempo. O gol de Suarez o fez. Vinte anos; esse foi o período que o Uruguai não chegava às oitavas de final de uma Copa do Mundo.

Quebrar tabús, acabar com a desconfiança, trazer de volta três milhões de pessoas a vibrarem a cada gol da Celeste Olímpica. A Seleção uruguaia trouxe de volta o orgulho “Charrua”. Só que a festa estava só começando. A Coréia do Sul estava no caminho nas oitavas de final. E foi espantosa a garra e determinação uruguaia em campo. Uma geração nem tão talentosa, ou brilhante assim, mas que a vontade de vencer, a garra, se faz superior a qualquer limitação. Os Coreanos sentiram isso na pele. Luis Suarez foi o nome da vitória; o nome da história. Dois gols que selaram uma classificação às quartas de final que não vinha desde 1970. Classificação digna dos antigos guerreiros “Charruas” que habitavam o Uruguai no passado. Com sangue, vibração, muita garra e transpiração, a geração de Diego Lugano, Forlán e Luis Suarez vem escrevendo novos capítulos na história do futebol uruguaio. Linhas de uma epopéia de muitas glórias, momentos tristes, mas de esperança, e superação.

Os guerreiros “Charruas” estão prontos para mais uma batalha. Pela frente a Seleção de Gana. Uma batalha tribal, que os uruguaios estão prontos para passar por cima de mais um tabú, e chegar ainda mais perto do céu; o céu Celeste!

*Patrícia Chueri é repórter da TV Bandeirantes

Qual a sua opinião?