Sobre o fim da MPB FM e a greve na Super Rádio Tupi

Redação em 1 de fevereiro de 2017 - 10:16 em Destaques, Notícias
  
  

Por Sergio Solon Santos

Hoje não consegui dormir. Pensei na dor, no desespero de vocês, meus colegas, meus amigos. Os que estão fora, os que estão dentro, os que estão meio sei lá o que…sem respeito, sem dinheiro.

Assim como muitos de vocês que me lêem, sonhei em trabalhar no rádio. Comecei trabalhando de graça como uma forma de experiência, pouco tempo depois ganhei meu primeiro salário em rádio. Conheci muitos sonhos, mas vi desilusões tremendas. A gente estudou, né verdade?

A MPB FM não é só mais uma rádio. O fim de uma emissora com 100% música popular brasileira é sintomático. Tenho certeza que o Mansur também não dormiu. Perdemos espaços, futuro e memórias.

Seja o que for o que vá acontecer logo mais em São Cristóvão, estamos juntos, colegas e amigos da Super Rádio Tupi. Já pisei na terra do desrespeito, do desemprego e da incerteza. Entendo tudo o que vocês estão sentindo e pensando nessas últimas semanas.

Estou emocionalmente envolvido com a causa de vocês. O público não faz ideia da barra que os radialistas do Rio estão enfrentando! É um tal de ir pro trabalho hoje e não saber se volta ao trabalho amanhã…

Não porque se pode ser morto no caminho nesse Rio quebrado de Cabral. No caminho tortuoso desse nosso rádio há muitas pedras, enormes.

O choro pela MPB FM com direito a notas simples e a total ignorância do que acontece na Tupi só provam como somos uma classe desunida, como bem observou meu querido Marcio Guedes dia desses.

Sou moleque ainda, mas já senti os venenos e os podres poderes que esse mercado tem. O rádio é charmoso e pantanoso.

Vamos viver essa quarta porque a Super Rádio Tupi ainda vive. Ainda que não tenha sido digna de uma mísera nota nas páginas de O Globo.

MPB FM me deu Caetano, Gal, Bethânia, Elis, Chico, Vanessa, Clara, Cazuza, Renato, Ney, Djavan, Nando, Titãs, Marias e Clarices. Só dei a ela uma noite de sono. Pensei nos desempregados, nos músicos que jamais iremos descobrir.

O rádio sangra, mas sobrevive. Mais tarde tem Tupi…

#LutoPelaMPBFM #VoltaTupi

 

*Sergio Solon Santos é jornalista

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