LEI DA DESMORALIZAÇÃO

Redação em 18 de Fevereiro de 2010 - 0:00 em Notícias
  
  


Por José Luís Portella, no Jornal Lance!

 

Vem mais uma tunga por aí.  

Deve ser com o Banco do Brasil.

Grana do Papai Estado.

Cartolas que têm acesso a Lula trabalham em mais um ato: o Banco do Brasil, provavelmente, absorveria as dívidas dos times e as refinanciaria em condições amigáveis por 30 anos ou mais.

Certo estava Márcio Braga quando acalentava a Timemania: “Vamos nessa que depois vem outra”.

Ou seja, mais uma vez os times parcelavam suas dívidas e, depois, novamente deixariam de pagar os impostos e pediriam outro parcelamento.

Uma festa, como em vezes anteriores.

A tese é simples: clube é patrimônio cultural e nunca será fechado.

Com esse argumento malandro de sapato branco constroi-se a história da pendura futebolística.

A mágica que querem empurrar para o Banco do Brasil não é muito diferente do que aconteceu com os bancos americanos que quebraram recentemente na orgia do subprime
.

Se até os economistas neoliberais atacaram esse apelo desaforado ao Papai Estado na Meca do capitalismo, imagine a reação dos economistas desenvolvimentistas brasileiros que ostentam em seus currículos o repúdio a esse modo dos banqueiros procederem: “Governo só atrapalha; a menos quando nos salva da falência”.

É a mesma festa da ganância irresponsável.

Lá, ninguém aguentava ter lucro menor que o concorrente e botava o pé na lama de um crédito bem podre.

Aqui, os clubes procedem igualmente.

“Se o co-irmão faz, temos que fazer”, diz o diretor de futebol, docemente constrangido, sustentado pelo ledo presidente.

Na Timemania, que assimilou até apropriação indébita, dinheiro desviado pelos cartolas, negociava-se a dívida dos times com o Governo.

Agora é a dívida privada feita com a máscara negra do cartola.

Segundo ato: a atual mudança, na Câmara Federal, da chamada Lei de Moralização.

Cartola não responde mais por endividamento.

Em toda atividade comercial, como é a indústria do entretenimento, onde militam os clubes de futebol, ou se é empresa ou se responde com os próprios bens nas transações, para dar segurança aos agentes parceiros.

O futebol será a exceção.

Uma desmoralização.

Para disfarçar, enfiaram o termo “gestão temerária”, que é crime só previsto para o sistema financeiro.

Ou seja, inventaram algo inócuo.

Férias morais.

Com o terceiro ato que vem aí – o Banco do Brasil a premiar gestores irresponsáveis que manipulam a paixão do torcedor –, nada ficamos devendo aos banqueiros de Tio Sam. Aliás, os superamos.

Papai Estado vai bancar a folia privada dos clubes.

“Que bom te ver outra vez. É carnaval.”

Qual a sua opinião?