Protesto: fui tolhida ao não ouvir o Ronaldinho Gaúcho

Redação em 28 de fevereiro de 2011 - 3:12 em Megafone, Notícias
  
  

Por Isabela Guedes

 

Ontem fui tolhida por não ouvir o jogador Ronaldinho Gaúcho, na vitória magra do Flamengo de 1 a 0 em cima do Boavista, no Engenhão. Como a maioria sabe, sou torcedora do Bangu e ouvinte de rádio há quase 16 anos.

 

Ao fazer o blog do Rádio Carioca, em março de 2008, por protestar pelo fim da equipe esportiva da Rádio Nacional1130 AM. Enfim… os anos passaram e a “MINHA” Nacional voltou na temporada de 2009.

 

Dois anos passaram e estamos em 2011. A equipe esportiva da tradicional emissora da “Praça Mauá” cresceu em qualidade e em quantidade, recolocando assim repórteres, locutores e comentarista para o “casting” do rádio.

 

Em um país democrático, como é dita na constituição brasileira, tenho a opção de escolha. Correto? Nem tanto. Ao estar na minha casa, infelizmente, fui tolhida por não escutar SEQUER a voz de Ronaldinho Gaúcho, pois o astro rubro-negro não falou à Rádio Nacional. Segundo o que eu ouvi, Gabriel Torres, setorista, foi IMPEDIDO de exercer o seu papel fundamental: REPORTAR, CONDUZIR, PARA MIM, ENQUANTO OUVINTE DE RÁDIO E DA RÁDIO NACIONAL, o cotidiano, o riso e a lágrima dos clubes do Rio de Janeiro.
Não faço parte do “meio radiofônico esportivo” e nem da Rádio Nacional do Rio de Janeiro(KHz 1130 AM). O que me DÓI, com relação a esse fato,  é não ter a OPÇÃO e o DESEJO de ouvir um ídolo brasileiro, na “minha” estação de rádio: a Rádio Nacional.

 

Não me interessa quem empurrou o excelente repórter da equipe esportiva da “Praça Mauá”, mas saibam de algumas peculiaridades históricas, pois, se fossem em priscas eras, ou em culturas mais evoluídas, aonde são encotidas na população, a MEMÓRIA e a HISTÓRIA DE UM POVO, a RÁDIO NACIONAL seria REVERENCIADA e RESPEITADA:

 

1- No dia seguinte da sua inauguração, no dia 13 de setembro de 1936,a Rádio Nacional transmitiu o primeiro Fla-Flu de sua história com Gagliano Neto na locução;

 

2- Foi a primeira emissora a pôr repórteres atrás das “metas”, revolucionando assim, o modo de transmitir o futebol(que até hoje todos copiam);

 

3- Elevou o futebol carioca aos cantos mais distantes deste país e mundo. Bem antes da chegada da internet, os satélites dos “KHz 1130 am”, popularizou os 6(SEIS) clubes da antiga Capital Federal: Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, América e Bangu. Se no seu estado, você torce para um time do Rio de Janeiro e não o time do seu Estado, agradeça à Rádio Nacional, que ao longo de quase 75 anos de história(com algumas “paradas” da emissora), fez você ser rubro-negro e estar vibrando agora com a conquista da 19ª Taça Guanabara;

 

4- No programa “Balança Mais Não Cai”, da referida emissora fazia em “1900 e Guaraná-rolha” ,o personagem Peladinho, torcedor fanático do rubro-negro, CUNHOU o então Flamengo por MENGÃO. Se o seu filho de 3 anos não consegue dizer FLAMENGO e sim MENGÃO, agradeça à Rádio Nacional, pois elevou o Flamengo a uma categoria maior: a do superlativo “ÃO”;

 

5- No começo da década de 1980, o então chefe da equipe esportiva da Rádio Nacional, José Carlos Araújo, inovou ao colocar repórteres de campo para fazer entrevistas nas concentrações(até então, INÉDITO no rádio esportivo);

 

6- Ao longo de 74 anos de história, a Rádio Nacional teve em seu casting:Jorge Curi (in memorian), Waldir Amaral (in memorian), João Saldanha (in memorian), José Carlos Araújo, Gagliano Neto, Júlio Cesar Santanna (in memorian), Denis Menezes, Cesar Rizzo, Zildo Dantas (in memorian), Cícero Mello, José Cabral, Doalcey Camargo (in memorian), Washigton Rodrigues, Sérgio Moraes, Paulo César Tênius, Luiz Mendes, Luiz Penido, Chico Anysio, Roberto Pôrto, Fred Damato, Gérson Júnior, Sidney Marinho, André Ribeiro, Tárcio Santos, José Silvério, Welligton Campos e tantos outros que, se eu lembrar-me de TODOS os que passaram pela emissora querida, não caberá em um post já extenso.

 

Infelizmente ou felizmente, pude pôr para fora o meu descontentamento após ouvir, ou melhor digitando, O NÃO ESCUTAR  a “palhinha” de um ídolo, como Ronaldo Gaúcho, na Rádio Nacional.

 

Ao encerrar este protesto-post, deixarei uma citação simplória do célebre escritor Rubem Braga: “O POVO FALA A LINGUA DA RÁDIO NACIONAL”.  E eu retruco de cá, nos meus meros 29 anos de vida nesta existência:  E EU SOU ESTE POVO!

 

*Isabela Guedes é jornalista

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