Paulo Newton, produtor executivo da TV Manchete fala sobre Angélica

Menina de ouro
Gabriel Gontijo em 18 de agosto de 2015 - 15:20 em Áudios, TV
  
  
Paulo Newton, TV Manchete

Paulo Newton (Foto: Reprodução YouTube do documentário “Aconteceu, virou Manchete”)

Rádio de Verdade falou com Paulo Newton, produtor executivo da TV Mnchete que foi um dos responsáveis por lançar Angélica na televisão. Para ele, Angélica sempre será uma menina de ouro.

Rádio de Verdade: Paulo Newton foi responsável por lançar ninguém mais, ninguém menos que a Angélica, nos anos 80. Paulo Newton, como é que foi essa descoberta?
Paulo Newton: A descoberta, propriamente, não foi minha. A Angélica já estava na TV Manchete.Tinha acabado de chegar na TV Manchete há um mês, e eu era do núcleo de teledramaturgia. Eu tinha acabado de fazer a novela ‘Carmen’, da Glória Perez, eu era o pesquisador da Glória Perez, e a minha coordenadora me chamou e falou: “olha, amanhã a gente vai começar um programa novo”. “Ué, mas eu tô de férias”. “Não, não tá mais de férias não porque tem um programa novo, seu Adolfo tá reeditando o ‘Clube da Criança’ e temos uma apresentadora nova, que é a Angélica”. Aí eu falei: “Quem é a Angélica?”. “É aquela menina loira, ela pertenceu a um grupo musical” e aí lançamos a Angélica no Clube da Criança. E a gente, naquela época, 1986, queria dar um caráter não só de público jovem, mas com uma pitada de cultura, então a gente criou alguns quadros dentro do programa, tinha a casinha da Angélica (o cantinho da Angélica), onde a Angélica podia ter os entrevistados. E aí começamos a levar personalidades do mundo esportivo e do mundo artístico. Então eu me lembro que fui eu que apresentei o Zico a ela. Levei a Ana Botafogo, que na época era o auge da dança clássica no Brasil, bailarina do Theatro Municipal e assim fomos fazendo. A gente fazia programas temáticos: dia do índio, dia das mães, dia das crianças. E aí estabeleceu-se uma grande aliança, na verdade, eu já podia ser pai da Angélica. Ela tinha 14 anos de idade. (Tudo isso) foi coroado com a festa de 15 anos que nós fizemos no Fluminense, seu Adolfo queria uma festa monumental. Enfim: bolamos várias coisas e acabou acontecendo essa festa no Fluminense, porque meu pai é ex-presidente do tricolor. Apesar de eu ser flamenguista, eu tinha um trânsito razoável no Fluminense através do meu pai, Paulo de Morais, e aí fizemos a festa da Angélica de 15 anos lá. Seu Adolfo dançou a valsa com ela e tudo mais, e foi um sucesso. E dali ela foi catapultada realmente ao sucesso total. Nós recebemos um mês e meio depois mais de 260 solicitações de empréstimo do vestido que a Angélica usou nos 15 anos dela. Bom, e aí estabelecemos uma grande parceria, uma grande amizade que dura até hoje. Enfim, eu passei a ser produtor dela all time. Viajei o Brasil três vezes com a Angélica, fazendo show e tudo. E quando ela lançou o primeiro sucesso dela, “Vou de Táxi”, o Paulo Ricardo, empresário dela, chegou com a fita demo e falou assim: “a gente tem que lançar no programa hoje”. E eu falei: “Mas não é assim, Paulo Ricardo, a gente tem que ter um trabalho, conhecer a música, tem que ter uma coreografia”, “inventa”. Então eu ficava atrás da câmera, inventando uma coreografia e a Angélica na frente da lente, repetindo a coreografia, fazendo sinal, na verdade um grande bobagem. E aí ela virou a estrela que é, uma menina de ouro, até hoje eu considero ela uma meina de ouro.

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