Leila Richers: um pouco do jornalismo da TV Manchete

Nós tínhamos uma inocência que nos dava uma alegria, uma felicidade incrível
Gabriel Gontijo em 24 de agosto de 2015 - 10:17 em Áudios, TV
  
  
Leila Richers

Leila Richers (Foto: Michel Menaei/Hipermídia Comunicação)

Rádio de Verdade continua com a série de reportagens feitas durante o segundo encontro de ex-funcionários da TV Manchete em um restaurante no Catete. Trazemos agora a entrevista com Leila Richers, que foi apresentadora do Jornal da Manchete 2ª edição.

Rádio de Verdade: Leila, você que trabalhou entre os anos 80 e o início dos anos 90 na Rede Manchete, conta como foi importante a Manchete na tua carreira?
Leila Richers: A Manchete foi tudo na minha carreira, eu fui lançada lá. Eu comecei minha carreira nas revistas da Bloch Editores, depois passei pra televisão e consegui o maior sucesso sem ter passado pela Globo. Isso era uma coisa inusitada. E a Manchete era um lugar, sim, de felicidade total. A gente sentia fazendo tudo novo, tudo começava ali pra gente. Uma nova lingagem, uma nova forma de fazer televisão, então eu era muito feliz.

Rádio de Verdade: Conta como que era fazer todo o jornalismo com uma linguagem carioca para um país, mas ao mesmo tempo, sabendo diferenciar o Brasil para o Rio de Janeiro e vice-versa?
Leila Richers: Olha só, o Rio de Janeiro sempre foi uma caixa de ressonância pro resto do Brasil, foi capital do império, cpital do reino unido, de Portugal e Algarves, capital do império, capital da república, então o Rio de Janeiro sempre teve essa capacidade de propagar modismos, jeitos, sotaque, assim, tudo de bacana, de identidade. Tá muito ligado à identidadecultural do Brasil.

Rádio de Verdade: Leila, uma das coisas que a gente não pode deixar de falar, é todo um ambiente ali do jornalismo, que era praticamente uma família, e aí eu destaco as muitas brincadeiras e piadas que o Ronaldo Rosas fazia com você. Como é que era lidar com as brincadeiras do Ronaldo?
Leila Richers: Olha, a melhor coisa do mundo, tanto que eu trabalho com o Ronaldo até hoje. Onde um vai, chama outro. Arranja um jeito de fazer um contato e de trabalhar junto. Ele hoje trabalha junto comigo, eu faço um programa (um dos programas, eu faço dois), mas o Croices do Rio, é ele é quem faz a locução porque eu não admitiria ninguém, porque ninguém é melhor do que o Ronaldo pra fazer isso, então trabalhar com o Ronaldo sempre foi um grande prazer. Nós nunca tivemos assim, uma dificuldade, uma divergência. Fora isso ele conseguia fazer cada dia um dia especial, um dia de brincadeira, um dia assim, de piada, inesquecível. Tinha sempre alguma coisa assim. A gente ria muito e ainda levava pra casa aquilo. Isso era um conforto, isso era um aconchego enorme.

Rádio de Verdade: E pra fechar, qual era, ou quais eram as principais características do jornalismo da Manchete que fazem tanta falta nos dias atuais?
Leila Richers: Olha, são dois, tem duas coisas: tem uma coisa que é o lado de dentro, né? Nós trabalhando na Manchete. Eu tava falando há pouco com os colegas que nós tínhamos uma inocência que nos dava uma alegria, uma felicidade incrível. Só quando foi o pessoal da Globo pra Manchete, é que nós fomos perdendo essa inocência. Não havia competitividade, não havia nada. Nós éramos absolutamente felizes. Isso é a parte, né, interna. E de fora, havia uma receptividade muito grande de todo o Brasil em relação à Manchete. As pessoas queriam a outra voz, um outro ponto de vista, então nós éramos muito bem recebidos no Brasil inteiro. Então isso é outra coisa, assim, que nos dava muita satisfação de fazer um jornalismo de altíssimo nível, porque durante seis anos Nelson Hoineff foi nosso editor no Jornal da Manchete 2ª edição, um intelectual. Então nós trabalhávamos com a nata da intelectualidade brasileira. E aí, você imagina a satisfação que era pra nós e para o público receber esse produto desse nível que fazia um diferencial na época.

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